Edredom e cia.

Hoje eu passei o dia inteiro atrás de um abraço. Às vezes isso acontece, um estrangulamento entre o peito e a garganta, as lágrimas prontas pra explodir, e a sensação de que é agora, pronto, a hora derradeira. E aí eu olho de novo para os lados e nada, ninguém. Tento me chegar aqui, ou ali, arrumar um contato físico, braços, de preferência grandes e masculinos, envolventes, mas nada, ninguém. Geralmente neste ponto o aperto aumenta, as lágrimas explodem, mas não, eu ainda estou aqui.

Quem nega um abraço deve ter fortes motivos pra isso, e quem é negado sabe por quê. Se expor assim tão fragilizado, vulnerável, “oi eu to carente”, e receber um foda-se praticamente, é no mínimo cruel. Ou eu realmente devo ser uma pessoa pouco querida. Nem um pouco querida, melhor.  Porque qual é o problema de estar carente, qual é o preconceito? Ah vá, quem nunca se sentiu um menor abandonado? Tudo bem, eu me sinto assim todos os dias, mas só de vez em quando ficam sabendo. E ainda não têm o mínimo de tolerância. Ok então, eu sou desprezível. Não se aproximem deste ser nojento e abominável.

Estou ganhando um abraço quentinho agora do meu edredom. Vou dormir, mais um dia, só, sem contato com corpos humanos, exceto esbarrões, membros que se encostam involuntariamente em ônibus e metrôs, e pisadas no pé.

Boa noite.

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Uma resposta para “Edredom e cia.”

  1. oultimogole Disse:

    Estou esperando o próximo texto.

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